Cidade Vigiada: Justiça Eletrônica

junho 21, 2007

  Não estamos na mente de Orwell, mas alguém está nos vigiando. Em balneário Camboriú, pouca coisa escapa das lentes da justiça. Todo o seu comportamento nas ruas está sendo monitorado, e ao mínimo desencontro com a postura que o estado exige, a viatura mais perto de você estará averiguando. Em suma, qualquer bolinho já é suspeito. Fumar um cigarro na entrada do prédio, durante a madrugada, nem pensar. A rapidez, que nos relatório soa como eficiência, para os cidadãos soa como importuno. Durante os períodos de lei-marcial, qualquer reunião com mais de 4 pessoas é ilegal. Na lei das ruas, quatro pessoas já é arriscadíssimo, se não estiver com boa vontade para ser averiguado. Qualquer conversa entre amigos pode virar uma “revista de rotina”, com direito a cidadãos de fardas cáqui bradando impropérios ao seu ouvido.Vigiar as ruas parece o certo a ser feito, mas não é. As pessoas não se deram conta do risco de falta de liberdade que este precedente pode abrir. Ser localizado sempre é um deles. Apesar de parecer seguro, ninguém sente-se confortável ao saber que está sendo monitorado por todo o tempo. No trabalho e nas ruas. O último reduto de privacidade existente é o convívio íntimo, e isto pode mudar também.Por enquanto, vigiar as ruas não trouxe maiores problemas. Mas a intromissão do estado nas esferas sociais nunca foi presságio de boa coisa, e duvido muito que dessa vez seja. Uma posterior má-utilização deste tipo de recurso por algum governo pode ser desastroso e irreversível, subjugando as pessoas à uma vigilância ainda mais intrusiva em nome de conceitos abstratos de segurança, ou ainda pior, confundir segurança com vigilância constante. Coibir comportamentos que sejam perniciosos para a sociedade passa longe de vigiar e punir, e é muito mais próximo de evitar que o mal aconteça. As causas de grande maioria dos distúrbios sociais não passam nem perto da falta de vigilância, mas mesmo assim teimam nesta tecla. Querem mais presídios e mais vigilância. Mais policiais, mais armas e, conseqüentemente, mais truculência. E é por isso que a segurança está nessa.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.